sábado, 7 de julho de 2012

Sorte ou nem tanto!



O Mário, ontem no Porto, entre outros belíssimos e profundos dizeres, declarou a sua disponibilidade para apoiar o Carvalho da Silva se, este, em 2016 se candidatasse à Presidência da Republica. [1]

O Silva deve ter ficado a pensar que:

1º - Muito provavelmente, o apoio de alguém com mais ou menos 100 anos de idade – que o Mário, se for vivo deverá ter nessa altura – até poderia ser interessante;

2º Que o apoio oferecido pelo hipotético centenário personagem, não seria… assim tão grande coisa, dado o passado do sujeito.

Eu estou-me nas tintas para o Carvalho da Silva quer ele se candidate ou não mas, confesso, estou um bocado farto deste Mário que insiste em salvar o País mesmo sem ninguém lho pedir e, até, como é o meu caso, haver muito boa gente a implorar para que não o faça!

Já:
 ‘salvou’ que chegue!
‘descolonizou’ que baste!
‘desbocou-se’ mais que suficiente!


[1] Conf. ‘Público’ de 2012.06.21

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Subsídios


Por falar em subsídios, no passado dia 21/03/2012 foi publicada no Diário da República a lista dos subsídios atribuídos pelo IFAP no 2.º
semestre de 2011, tal como se havia publicado a listagem relativa ao 1.º semestre de 2011 no dia 26/09/...2011.

No ano de 2011 o IFAP atribuiu subsídios no valor de €9.823.004,34 às empresas e membros das famílias da tauromaquia :

Ortigão Costa - 1.236.214,63 €
Lupi - 980.437,77 €
Passanha - 735.847,05 €
Palha - 772.579,22 €
Ribeiro Telles - 472.777,55 €
Câmara - 915.637,78 €
Veiga Teixeira - 635.390,94 €
Freixo - 568.929,14 €
Cunhal Patrício - 172.798,71 €
Brito Paes - 441.838,32 €
Pinheiro Caldeira - 125.467,45 €
Dias Coutinho - 389.712,42 €
Cortes de Moura - 313.676,87 €
Rego Botelho - 420.673,80 €
Cardoso Charrua - 80.759,12 €
Romão Moura - 248.378,56 €
Brito Vinhas - 53.686,78 €
Romão Tenório - 283.173,89 €
Sousa Cabral - 318.257,79 €
Varela Crujo - 188.957,35 €
Assunção Coimbra - 330.789,44 €
Murteira - 137.019,76 €

Andam os canis municipais a matar cães e gatos porque não têm mais espaço para os acolher e há 10 milhões de euros aplicados na tourada só no ano de 2011? As associações vivem de CARIDADE! Tal como os velhotes que nem têm dinheiro para pagar os medicamentos com a porcaria de reforma que recebem!
Este Verão vamos ver mais e mais florestas a arderem porque as câmaras não têm subsídios para a limpeza das mesmas, e Portugal não tem dinheiro para comprar helicópteros. Andam as esquadras da polícia podres e os carros enfiados em garagens porque não há fundos para os arranjar.

Andam as crianças a ir para a escola sem tomar o pequeno almoço porque há famílias que só têm dinheiro para pagar as rendas, para não
dormirem na rua. Foram cortados subsídios de Natal para ajudar a pagar a dívida portuguesa ao estrangeiro.

Não há dinheiro para nada mas há 10 MILHÕES DE EUROS para a tauromaquia só num ano?

Marta Correia

Coordenadora do Núcleo Faro da Associação PRAVI (Projecto de Apoio a Vítimas Indefesas)

domingo, 1 de julho de 2012

O destino da pátria



O país está afundado numa crise económica e financeira para que não se vê saída próxima, mas isso não impede várias dezenas de milhares de criaturas, com mais ou menos piercings e mais ou menos tatuagens, de acorrerem em massa, alvoroço, excitação e devoção, a uns conclaves que dão pelo nome de Rock in Rio ou rock seja lá onde for. Podem perder noites e dias inteiros à espera dos seus ídolos, podem apanhar pulgas, catarros e constipações, podem faltar às aulas ou ao emprego, podem pagar várias dezenas de euros por cada bilhete de entrada. São os mesmos que, se lhes aumentassem as propinas em 50 cêntimos que fosse, saltariam para a praça pública a chamar nomes ao Governo e às Universidades. E pelo aspecto, muitos deles integram as hordas de indignados que aparecem por aí noutras ocasiões. Mas ali, entram em transe a aplaudir outros indignados, com a diferença interessante de que estes, no palco, fazem da sua indignação uma profissão que lhes dá rios de dinheiro e assim lhes compensa amplamente os radicais furores.

É neste clima de fuga à realidade e amplificações ensurdecedoras que o verdadeiro rock da pesada muda de nome e de cenário. Passa a chamar-se Euro 2012. Agora, não lhe faltará o singular empenhamento da comunicação social, engendrando expectativas desmesuradas de triunfo e criando em todas as almas verdadeiramente lusitanas o frisson patriótico daquelas manhãs de nevoeiro em que uma redenção colectiva nos há-de chegar pela biqueira ágil dos craques, pondo termo às nossas angústias.

De cada vez que há um campeonato destes, seja ele da Europa ou do mundo, é assim. Na rádio, na televisão, nos jornais, nos blogues, nas redes sociais, esse desmedido desassossego futebolístico em tempo de crise tem ocupado mais tempo e requerido mais atenção do que qualquer dos magnos problemas do país.

Investe-se conscientemente num jogo de ilusões e panaceias. Gastam-se rios de dinheiro em reportagens e em verbosas retóricas publicitárias que se proclamam apostadas em mobilizar o melhor das energias colectivas em torno de um objectivo de vitória, num trejeito impagável e convicto, como se estivesse em jogo a própria sobrevivência nacional.

Nos jornais, e sobretudo na televisão e na rádio, concentram-se todos os esforços numa cobertura noticiosa que é verdadeiramente maníaca na sua maneira de perder tempo e despender meios, obstinando-se em coisas sem importância nenhuma.

Atinge as raias do delírio a competição frenética entre os canais, apostados em esquadrinhar pormenores irrelevantes de todo, quanto aos jogadores, ao treinador, aos transportes, aos treinos, aos adeptos, aos horários, às refeições, às roupas... Grande parte dos serviços noticiosos e dos chamados especiais-informação é trufada com estas não-notícias em catadupa, ou apimentada com a recolha de palpites e opiniões sem qualquer espécie de interesse, mas servidos com doutoral e profética circunspecção. E é disso que se faz a nutrida concorrência mediática que nos infesta o dia-a-dia, com muita parra, pouca uva e sobretudo numerosos bichos caretas a perorar por tudo e por nada, mas sempre em nome da "verdade desportiva", da camisola heróica das quinas, do patrioteirismo indefectível, do "moralmente ganhamos sempre".

Se a televisão do Estado, para não falar já nas outras, despendesse com temáticas mais substanciosas a centésima parte do tempo e do esforço que faz com estas liturgias futebolísticas, já estariam em vias de solução muitos dos problemas que temos no tocante à crise dos valores, da promoção da educação e da cultura, da salvaguarda do património, da cidadania, das mentalidades.

Mas verifica-se que o conceito de serviço público resvala sistematicamente para uma perversão que não tem comparação possível com outras realidades. Parece não haver volta a dar-lhe. E nem um mais que provável traumatismo "ucraniano" terá o condão de nos fazer escapar ao futebol como destino electrizante da pátria.

Vasco Graça Moura - 13/06/2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Amargura e Indignação



1. O instituto de estudos políticos da universidade católica portuguesa realizará nos dias 25 a 27 do corrente o Estoril political forum 2012 intitulado “open societies, open economies and citizenship”.

No dia 27 numa cerimónia presidida pelo professor Adriano Moreira serão concedidas condecorações a três pessoas em reconhecimento das suas vidas de Fé e de empenho pela liberdade - Faith and liberty life tribute. Uma dessas pessoas, que será apresentada pelo reitor da ucp, professor Manuel Braga da Cruz, é Maria Barroso Soares.

Maria Barroso na sua qualidade de presidente da pro dignitate estampou um artigo no jornal Público, 08.02.2007, aquando do último referendo sobre o aborto, intitulado “sim à despenalização”. Nesse texto soezmente tendencioso procurou propagandear de um modo manhoso o “sim” à liberalização do aborto, citando inclusive, tirando embora a frase do seu contexto, o Cardeal Patriarca de Lisboa. Assim termina o seu perverso artigo: “Não nos podemos … levar apenas por impulsos ou sentimentos suscitados e explorados por cidadãos não tolerantes (os que eram pelo “Não”) que extremam, acaloradamente, as suas posições. … Em suma - pelo direito à felicidade das crianças que nascem, e o direito à dignidade das mulheres - eu devo votar pela liberdade que deve ser concedida às mulheres de fazerem, em consciência, a sua escolha. Digo, com Frei Bento Domingues: «O "sim" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez dentro das dez semanas é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, da cultura do aborto.»”.

Quanto ao empenho desta senhora pela liberdade as palavras do Bem-aventurado João Paulo II são esclarecedoras: “Reivindicar o direito ao aborto … e reconhecê-lo legalmente, equivale a atribuir à liberdade humana um significado perverso e iníquo: o significado de um poder absoluto sobre os outros e contra os outros. Mas isto é a morte da verdadeira liberdade: «Em verdade, em verdade vos digo: todo aquele que comete o pecado é escravo do pecado» (Jo 8, 34).” (João Paulo II, O Evangelho da vida, nº 20). E ainda: “No referente ao direito à vida, cada ser humano inocente é absolutamente igual a todos os demais. Esta igualdade é a base de todo o relacionamento social autêntico, o qual, para o ser verdadeiramente, não pode deixar de se fundar sobre a verdade e a justiça, reconhecendo e tutelando cada homem e cada mulher como pessoa, e não como coisa de que se possa dispor. Diante da norma moral que proíbe a eliminação directa de um ser humano inocente, «não existem privilégios, nem excepções para ninguém. Ser o dono do mundo ou o último "miserável" sobre a face da terra, não faz diferença alguma: perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais».” (Idem nº 57). Por isso: “no caso de uma lei intrinsecamente injusta, como aquela que admite o aborto ou a eutanásia, nunca é lícito conformar-se com ela, «nem participar numa campanha de opinião a favor de uma lei de tal natureza, nem dar-lhe a aprovação com o próprio voto».” (Idem, nº 73). De facto, “O aborto e a eutanásia são … crimes que nenhuma lei humana pode pretender legitimar. Leis deste tipo não só não criam obrigação alguma para a consciência, como, ao contrário, geram uma grave e precisa obrigação de opor-se a elas através da objecção de consciência.” (Ibidem).

Quanto à Fé: “ … a inviolabilidade absoluta da vida humana inocente é uma verdade moral explicitamente ensinada na Sagrada Escritura, constantemente mantida na Tradição da Igreja e unanimemente proposta pelo seu Magistério. Tal unanimidade é fruto evidente daquele «sentido sobrenatural da fé» que, suscitado e apoiado pelo Espírito Santo, preserva do erro o Povo de Deus, quando «manifesta consenso universal em matéria de fé e costumes». … Portanto, com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a morte directa e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Esta doutrina, fundada naquela lei não-escrita que todo o homem, pela luz da razão, encontra no próprio coração (cf. Rm 2, 14-15), é confirmada pela Sagrada Escritura, transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal.” (Idem, nº 57). Esta afirmação, como o ensina a Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio Ad Tuendam Fidem, deve ser crida com fé divina e católica: “Deve-se crer com fé divina e católica em tudo o que se contém na palavra de Deus escrita ou transmitida por Tradição, ou seja, no único depósito da fé confiado à Igreja, quando ao mesmo tempo é proposto como divinamente revelado quer pelo magistério solene da Igreja, quer pelo seu magistério ordinário e universal …”. Pelo que quem duvida ou nega obstinadamente esta verdade incorre no crime e na censura de heresia, excluindo-se da Igreja.

Segundo a doutrina de sempre da Igreja, confirmada pela encíclica Veritatis Splendor do Bem-aventurado João Paulo II, a cooperação formal com o mal, como seja, por exemplo, a votação ou promulgação de uma “lei” injusta que admite o aborto ou a eutanásia, é sempre ilícita. No caso em apreço isto significa que quem votou no “sim” tornou-se moralmente responsável pelos abortamentos de todas as crianças nascituras realizadas ao abrigo da “lei” e por todas as demais consequências, tanto as previsíveis como também as imprevisíveis.

Por tudo o que fica dito e pelo mais que se podia acrescentar invade-me uma enorme amargura e uma melancólica indignação por se prestar este tributo a tal personagem. Tanto mais que isso confirmá-la-á no seu pecado e constituirá um escândalo (teológico), isto é, induzirá muitos ao pecado.

Conta-se que Mário Soares teria dito um dia que casou com uma Passionária e agora se encontrava casado com uma Madre Teresa de Calcutá. Caso isto seja certo posso garantir com toda a segurança a Mário Soares que sua mulher não se transformou, nem por sombras, numa Madre Teresa.


Nuno Serras Pereira
15. 06. 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Quanto pior, melhor?


Parece um filme visto mas são, verdadeiramente, cenas dos próximos capítulos. A Espanha aproximasse do abismo. A Itália treme. O contágio não pára.
Ainda bem, apetece dizer. Pode ser que quando o terror estiver mesmo à porta, os líderes europeus desencalhem.
Talvez seja preciso vislumbrar a catástrofe mais perto para que os poderosos da Europa se disponham a fazer tudo o que for necessário para assegurar a sobrevivência do euro. Se adoptarmos a perspectiva cínica, temos boas notícias.
A Espanha, depois de ter sido resgatada com 100 mil milhões, viu os juros da dívida atingirem um novo máximo histórico.
A Itália, quarta economia do euro, não resistiu ao contágio. O sinal de alarme está aí: num mês, a
Itália viu os juros da sua dívida subirem de 2,3% para 4%. E o sr. Monti veio dizer a frase que mais
azar tem dado aos países do Sul, ou seja, veio dizer que a Itália não tem um sistema económico frágil e não precisará de nenhum resgate. Veremos o que aí vem, ao sabor do desnorte espanhol.
Durão Barroso diz que alguns líderes europeus parecem ainda não ter percebido a emergência do momento. Mas o que o filme da tragédia europeia mostra é que só a emergência máxima nos poderá salvar. A coragem de dar um passo em frente passa por assumir que a União Europeia ou é mais do que uma união monetária ou não é nada. Talvez o estertor do euro ajude a Alemanha a acordar.

ângela silva, r/com renascença comunicação multimédia, 2012

sábado, 23 de junho de 2012

Para quem tem memória curta...!


"Em 1980, Cavaco Silva, então ministro das Finanças, subiu os gastos orçamentais, valorizou o escudo, aumentou as importações. O défice das transacções correntes subiu, de 5% do PIB em 1980, para 11,5% em 1981 e 13,2% em 1982. A dívida externa aumentou de 467 milhões de contos em 1980 para 1199 milhões em 1982.

Perante tal descalabro, em 1983 o novo governo da AD vê-se obrigado a subir as taxas de juro 4 pontos e a vender 50 toneladas de ouro para financiar as contas externas. O desnorte é total!

A troco de ajudas financeiras da EU, produz-se, entretanto, o desmantelamento do sector das pescas, da silvicultura e da agricultura em Portugal. A maioria dos agricultores e dos pescadores passaram a
receber para não produzirem, para arrancarem árvores (vinhas, oliveiras, árvores de fruto, etc.) ou, pura e simplesmente, para abandonaram a sua actividade piscatória, contribuindo desta forma para o aumento da dependência alimentar de Portugal de países como a Espanha e França.

Por seu lado, a operação conduzida por Cavaco Silva e pelo governador do Banco de Portugal (ao tempo Tavares Moreira) da entrega das 50 toneladas de ouro do Banco de Portugal a uma empresa norte-americana, terminou na falência!"...

É preciso ter lata para, agora, vir aconselhar o aumento da produção agrícola!

Como diria o Ribeirinho: 

"Ou estás taralhouco, ou estás a fazer poucachinho de mim!"

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Benesse

Mas, então… não é preciso confessar-me, interrogavam-se alguns dos fiéis após a homília.

Que sim… que não…

Anselmo sossega os crentes:

Dia tal, durante a Missa, darei uma absolvição geral!

Maravilha das maravilhas: no dia anunciado, o pequeno Templo enche-se até não caber nem uma agulha.

Pudera… com tal ‘benesse’!

E… já está!

Confessar-se pelo menos uma vez no ano, não é o que diz a Igreja?


Só que...



Para que fique claro:

Celebração da reconciliação de vários penitentes
com confissão e absolvição geral

Disciplina da absolvição geral
31. A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja; somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão, podendo nestes casos obter-se a reconciliação também por outros modos.
A absolvição simultânea a vários penitentes sem confissão individual prévia não pode dar-se de modo geral, a não ser que:

a) esteja iminente o perigo de morte, e não haja tempo para um ou mais sacerdotes poderem ouvir a confissão de cada um dos penitentes;
b) haja necessidade grave, isto é, quando, dado o número de penitentes, não houver sacerdotes suficientes para, dentro de tempo razoável, ouvirem devidamente as confissões de cada um, de tal modo que os penitentes, sem culpa própria, fossem obrigados a permanecer durante muito tempo privados da graça sacramental e da sagrada comunhão; não se considera existir necessidade suficiente quando não possam estar presentes confessores bastantes somente por motivo de grande afluência de penitentes, como pode suceder nalguma grande festividade ou peregrinação. ( Cf. C. I. C., can. 960 e 961 § 1.)

32. Emitir juízo acerca da existência das condições requeridas no n. 31, compete ao Bispo diocesano, o qual, atendendo aos critérios fixados por acordo com os restantes membros da Conferência Episcopal, pode determinar os casos em que se verifique tal necessidade. (Cf. C. I. C., can. 961 § 2.)

33. Para o fiel poder usufruir validamente da absolvição concedida simultaneamente a várias pessoas, requer-se não só que esteja devidamente disposto, mas que simultaneamente proponha confessar--se individualmente, no devido tempo, dos pecados graves que no momento não pôde confessar.
Instruam-se os fiéis, quando possível, mesmo por ocasião de receberem a absolvição geral, acerca dos requisitos acima mencionados, e antes da absolvição geral, ainda em caso de perigo de morte, se houver tempo, exortem-se a que procure cada um fazer o acto de contrição. (Cf. C. I. C., can. 962 § 1 e 2.)
34. Aqueles a quem foram perdoados pecados graves em absolvição geral, aproximem-se quanto antes, oferecendo-se a ocasião, da confissão individual, antes de receberem nova absolvição geral, a não ser que sejam impedidos por causa justa. Todavia, devem absolutamente aproximar-se do confessor dentro de um ano, a não ser que se interponha impossibilidade moral. Para esses, está também em vigor o preceito pelo qual todo o cristão deve confessar ao sacerdote, ao menos uma vez cada ano, todos os pecados, de qualquer maneira os graves, que não tenha ainda confessado individualmente. (Cf. S. Congr. da Doutr. da Fé, Normae pastorales circa absolutionem sacramentalem generali modo impertiendam, 16 de Junho de 1972, n. VII e VIII: AAS 64, (1972), pp. 512-513; C. I. C., can. 963, 989.)

Rito da absolvição geral

35. Para reconciliar os penitentes com confissão e absolvição geral nos casos estabelecidos pelo direito, faz-se tudo como acima ficou dito a propósito da celebração da reconciliação de vários penitentes com absolvição individual, apenas com as seguintes alterações:
a) Terminada a homilia, ou dentro da própria homilia, advirtam-se os fiéis que desejam usufruir da absolvição geral de que se disponham convenientemente, isto é, de que deve cada qual estar arrependido dos pecados que cometeu, ter o propósito de não mais os cometer, ter intenção de reparar os escândalos e danos porventura causados, e, ao mesmo tempo, de confessar, na devida altura, cada um dos pecados graves que, no momento presente, não possa confessar deste modo; (Cf. S. Congr. da Doutr. da Fé, Normae pastorales circa absolutionem sacramentalem generali modo impertiendam, 16 de Junho de 1972, n. VI: AAS 64 (1972), p. 512.) proponha-se, além disso, uma satisfação para ser cumprida por todos, à qual cada um pode juntar mais alguma coisa, se quiser.
b) Em seguida, o diácono, outro ministro ou o próprio sacerdote convida os penitentes que desejem receber a absolvição a manifestarem, por qualquer sinal, que a pedem (por ex., inclinando a cabeça, ajoelhando-se, ou por outro sinal segundo as normas estabelecidas pelas Conferências Episcopais), dizendo todos em conjunto uma fórmula de confissão geral (por ex., Confesso a Deus todo-poderoso); depois, pode fazer-se uma oração litânica ou cantar-se um cântico penitencial, e todos em conjunto dizem ou cantam a oração dominical, como se expõe acima, no n. 27.
c) Então, o sacerdote pronuncia a invocação na qual se pede a graça do Espírito Santo para remissão dos pecados, se proclama a vitória sobre o pecado pela morte e ressurreição de Cristo, e se dá a absolvição sacramental aos penitentes.
d) Por fim, o sacerdote convida à acção de graças, como se diz acima, no n. 29, e, omitindo a oração de conclusão, abençoa o povo e faz a despedida.


Secretariado Nacional de Liturgia

Agrd. JMA