O Vasco Lourenço, veio uma vez mais, dizer umas patetices a propósito do momento que se vive em Portugal e do que, ele, sagaz político e não menos espertalhão que arranjou uma sinecura para vida, julga ter a solução e uma sólida previsão de futuro.
Penso que ninguém quer saber do Lourenço (Vasco) para nada e o que diz muito menso interessa, mas, é claro, 'Pássaros e Passarões', não podia deixar passar a coisa sem mais.
Daí que, a seguir, poderá encontrar - e ler se tiver pachorra - um artigozinho que publiquei na 'A RUA' em 1976.
AMA 1976
O Comandante da Região
Militar de Lisboa, afirmou, precisamente há uma semana, a respeito deste
Semanário, que os órgãos de informação são armas tão valiosas como as
espingardas.
Eu, por mim, duvido um bocado
que assim seja, pois que eu saiba, nem uma única guerra ou revolução foi feita,
ou alcançou vitória, pela palavra escrita ou falada. Foi e será sempre, a força
das armas que resolverá as grandes e as pequenas batalhas.
É um caso singular este, um
militar, para mais um militar responsável por um comando importante, declarar
assim, de viva voz, que a Direita é reacionária e assassina a Democracia. Isto
só se pode compreender, se aceitarmos que o senhor brigadeiro não sabe, na realidade,
o que é a Direita.
A Direita não tem o menor do
medos do senhor brigadeiro.
Nem de ninguém, de resto.
Só tem medo quem deve.
Mesmo que o senhor
brigadeiro, ou alguém, prenda a Direita, TODA, deste País, mesmo que tente
aniquilá-la à força, com as armas de que fala, a Direita não tem medo.
Principalmente por esta razão que já uma vez aqui expus: a Direita não tem medo
de conviver com a Esquerda.
A Direita reconhece à
Esquerda o direito à existência, lado a lado, embora em campos diferentes. Mais:
feliz do Povo que tem, convivendo, pacifica e democraticamente, a Direita e a
Esquerda. Lutando ambas pela conquista de melhor futuro, alicerçando o
presente, desta disputa democrática quem ganha, na realidade, é o País.
O que acontece muitas vezes,
o que está acontecendo, é que a intransigência da Esquerda, em relação à
Direita, está empurrando cada vez mais portugueses, exactamente, para a
Direita.
E porque é que o senhor
brigadeiro há-de querer que o 25 de Abril tenha sido, essencialmente, um movimento
apoiado pela Esquerda? Porquê, pergunto?
Não será verdade que todos os
portugueses apoiaram os militares do 25 de Abril?
Inclusive os portugueses de
Direita?
Isto não é utopia ou
arrazoado, ou não será verdade que a Direita tinha sido marginalizada por
Marcelo Caetano?
O facto de um jornal publicar
uma notícia que não corresponda à verdade, é, em si, grave. Concordo. No
entanto, um jornal não adivinha os acontecimentos nem as noticias.
Um jornal baseia-se em factos
que julga concretos e verdadeiros, faz fé que quem o informa desses factos é
honesto e digno. Terá de haver, neste País, um mínimo de confiança nas pessoas
e na sua probidade, sem o que não seremos senão uma sociedade de desconfiados.
Dezenas de vezes, centenas de
vezes, os variados, e alguns estatizados, órgãos de informação portuguesa têm
dado noticias completamente falsas, e, o que é mais grave, deliberadamente falsas.
No entanto, o rigor da indignação do senhor brigadeiro não se faz ouvir por
esses factos, esses sim, lesivos da dignidade da Imprensa e da boa fé dos
leitores.
A "A RUA" é um
jornal de Direita. Tout court. Não é de Centro, não é de Extrema, não é Independente,
é de Direita.
O senhor brigadeiro ao por à
"A RUA" o labéu de "pasquim" colocou-se, quer queira quer
não, no mesmo nível do general Vasco Gonçalves. Colocou a "A RUA" no
mesmo plano do "JORNAL NOVO", do "EXPRESSO", do
"TEMPO". Todos estes jornais, são "pasquins", disse-o em
Almada, aquele general.
Por acaso, o "O COMÉRCIO
DO PORTO" viu-se mimoseado com uma bomba, na noite do próprio dia das
afirmações do senhor brigadeiro.
Será também um
"pasquim"?
A "RÁDIO
RENASCENÇA" foi, à bomba, completamente destruída, está visto que seria,
falado, um "pasquim".
O "O SOL",
pasquim" confesso, teve a mesma sorte.
Chego a duas conclusões. A
primeira é que para acabar com a Direita é necessário prendê-la, toda. A
segunda, para acabar com os "pasquins" é urgente, bombardeá-los,
todos.
Nós, senhor brigadeiro Vasco
Lourenço, não temos espingardas nem preparamos golpes nenhuns. As únicas vezes
que pegámos em armas foi em Angola, na Guiné, em Moçambique. Mas, nessa
ocasião, creio, o senhor brigadeiro também por lá andava e, a grande maioria da
Esquerda, também.
Para terminar este escrito,
que tanto me custou a escrever, quero dizer ao senhor brigadeiro que a mais
rápida e eficiente forma de acabar com a Democracia em Portugal, Democracia que
apesar de tudo ainda resiste, é procedendo exactamente como o senhor brigadeiro
agora fez: com intransigência, com verminoso sectarismo, com a ameaça mais declarada,
com o veemente apelo à supressão pura e simples de uma voz que tem todo o
direito de existir.
Uma coisa porém é certa: Em política,
o que parece é, e não será a Direita, a Direita que eu perfilho e sigo, que
fará perigar alguma vez a Democracia em Portugal.
Quando isso acontecer, se o
impossível pode alguma vez acontecer, eu renegaria, de imediato, essa Direita.
E repito: Nós não temos armas
nenhumas pois que, se é certo que as armas desviadas das Unidades Militares
continuam "em boas mãos" as
nossas mãos, as mãos dos homens e mulheres de Direita, não são na óptica do
senhor brigadeiro "boas mãos".
Logo, a única
"espingarda" que teremos, será este "pasquim".
(ama, Publicado em "A RUA" em
Junho de 76)
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